BLOG DA MARLENE

Aqui quero fazer um espaço de boa comunicação com meus amigos leitores. Seja bem vindo!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Tempo......tempo...tempo.


No fim da madrugada um tic tac metálico me acorda.
Fico imaginando, será alguém andando de salto alto no andar de cima?
Já desperta descubro que são as gotas de chuva batendo na janela.
Observando o tempo e observando a gente, nesse final de Agosto, chegamos a muitas comparações.
Conforme o conceito de C.G.Jung, " sombra é a soma de todos os âmbitos rejeitados da realidade que o homem não quer ver."
A natureza está trazendo pra nós, uma realidade concreta do nosso ser interior.
À noite junto com as sombras descem as gotas de águas da chuva, como lágrimas escondidas.
De manhã brilha um sol esplendoroso, mostrando todo lado alegre da vida.
Porém vem acontecendo um fato novo, em pleno céu azul, por trás dos edifícios, começam a se formar nuvens brancas de algodão. Em poucos minutos dentro delas, chegam as sombras.
Nuvens escuras, sem pedir licença, rapidamente despejam enormes gotas de chuva sobre a terra.
Esse fato tem ocorrido várias vezes ao dia, pegando os desprevenidos de surpresa.
Afinal quem poderia esperar que em pleno sol, descesse um temporal tão rápido e que passasse com a mesma rapidez?
Toda essa visão concreta da natureza transportada para o mundo interior faz muito sentido.
Pois as sombras muitas vezes são o maior perigo para as pessoas, temos sombras que nem conhecemos.
Elas se transformam em opostos, tal como o sol e as nuvens escuras. Num repente, sem aviso nossas sombras nos surpreendem.  Chegam carregadas e se abrem em grandes gotas de lágrimas, exatamente como a chuva em pleno sol.
Fica então claro, que tudo que o ser humano de fato não quer, e de que não gosta, provém de sua própria sombra, visto que ela é a soma de tudo que ele não deseja ter.
Após essa limpeza interior o sol volta a brilhar, o homem volta a sorrir e passa a conhecer seus medos, suas sombras.
Resta cantar aquela música: "Quando entrar Setembro........"
Com certeza, estaremos de bem com a vida, e nos conhecendo melhor, floresceremos como a primavera.

  

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A cor da Palavra

A cor da palavra

A vida me ensinou que palavra tem cor, pode ser por meu gosto pela pintura,
 pode ser pela observação.
    Exaustos em pleno mar, os tripulantes da arca de Noé, avistam o arco-iris,
lendo suas cores, recebem a mensagem de plena vida.
Muitas vezes dizemos ou ouvimos palavras cujas cores ferem,
 outras vezes ouvimos palavras extremamente musicais e saborosas.
Olhando no espelho, em plena maturidade, ele pode nos dizer não o que vê,
 mas o que pode ver; quem sabe uma severa contabilidade de saldos e lucros.
 Quanta capacidade de se renovar?
Com certeza, do que sobrou há muito bom-humor pra retomar o caminho das palavras.
Quando olho e sinto o que se passa na natureza, tenho palavras quentes,
 afinal em pleno inverno, o sol
chega cedo, como se fosse verão.
 Brilhante, numa extrema contradição; quente no frio.
Trazendo dias de lindas cores. Somando a tudo isso, ainda estamos no ar, de frente pra TV, querendo
especular vida em Marte, que cor terá?
Sentimos grande vontade de viver um colorido interior, que desfaz as sombras e especulações, dos noticiários do dia a dia.
Essas cores novas, mostram que como o sol, também nós nascemos todos os dias.
 Límpidos banhados pelas luzes do horizonte. 
Prontos pra colorir o nosso quadro da vida.
Prontos pra usar o pincel do sol e sorrir como um bebê,
 diante da alegria de viver.

MARLENE CAMPOS VIEIRA

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Meu Mundo Caiu

MEU MUNDO CAIU.

Eu morava num país tropical , abençoado por Deus ......... 
Até que há quase um ano ganhei novos vizinhos e tudo mudou. Na casa de frente pra minha, onde vivia uma linda família, hoje funciona uma escola. A proximidade é tanta que não sabemos se estamos lá ou cá.
Nas férias, vira colônia de férias, com uma bela farra de diversão.
Nos sábados à tarde o quintal,  onde vivia o cão antigamente, espaço aberto para o som, coberto de amianto, vira palco de ensaio evangélico.
Com microfone nas alturas os jovens tocam e cantam. Nenhum outro som pode ser ouvido no meu quarto, começando ao anoitecer  até às vinte horas.
No domingo celebram o culto  até às vinte uma horas. Quando termina o culto, eles saem congratulando-se, para entrar nos seus veículos, estacionados na minha porta, quando se faz silêncio já são vinte duas horas.
Fico de cá pensando: como estão felizes! Como se sentem abençoados!
Invadem a privacidade alheia, criam uma igreja clandestina, fazem uma total barulheira aberta ao vento, sem lenço sem documento.
Quem disse que não reclamei; falei com o dono máquina de proventos.
Nada mudou, agora me diga o que você faria?
Quero ver televisão, quero ligar pra família, quero meu sossego de volta, eu mereço;
Todos merecemos.

domingo, 17 de junho de 2012

TEXTO DA DALVA

Dalva nossa amiga, deixa uma nova lição de vida, veja:


.
Deixe o amor tocar você! Permita que Deus o aperfeiçoe!
 
Dia desses recebi uma mensagem do meu irmão mais velho que dizia o seguinte: “As pedras mais preciosas são polidas e levadas ao fogo  para poder chegar ao seu formato desejado. Assim somos nós nas mãos de Deus! Ele nos molda. Muitas vezes, de forma dolorida, mas o resultado é uma jóia preciosa. Por isso, a cada dificuldade que você passar, saiba que é Deus te aperfeiçoando”.
Essa mensagem tem muito a ver com o que tenho pensado ultimamente. Fico me perguntando que lições posso tirar dessa situação que estou vivendo, pois tenho a certeza de que já não posso ser a mesma, depois de viver as experiências que tenho vivido durante esses oito meses de tratamento de hemodiálise. Não acho que ninguém mereça ficar doente, nem que precise estar nessa situação para se tornar um ser humano melhor, mas creio que, quando passamos por situações muito difíceis, tendemos a ver a vida de outra forma.
Estar doente me fez perceber o quanto somos pequenos, o quanto precisamos dos outros. Entretanto, muitos de nós passam pela vida se julgando superiores. Há os que se acham melhores por ter mais dinheiro, por ter uma posição social elevada, por ser bonito, etc. Baseados em coisas tão supérfluas, humilhamos, maltratamos, negamos nosso carinho, nossa solidariedade ao próximo. Mas de que vale tudo isso? De que vale dinheiro, posição social e beleza quando se está doente, por exemplo?
Na sala de hemodiálise onde faço tratamento, há ricos, pobres, classe alta, média e baixa. Há os que seriam considerados bonitos e os que parecem fugir aos padrões de beleza ditados pela sociedade. Todavia, embora o dinheiro, a posição social, às vezes, façam com que alguns tenham alguns privilégios, na maior parte do tempo, somos todos iguais. Ninguém sente mais ou menos dor por ser rico, pobre, feio ou bonito. Temos todos que encarar as dificuldades que essa doença acarreta. Quando paramos para conversar, percebo que nossas angústias, medos, desejos, tristezas e alegrias  são os mesmos.
Há em tudo isso um grande ensinamento: Não desperdicemos nossas vidas nos preocupando com coisas tão banais, como riqueza, posição social, beleza e tantas outras coisas banais que têm motivado os homens. Nada disso importa! O que vale a pena mesmo são as pessoas. E cada ser humano, por mais pobre, feio, humilde que pareça é sempre uma criação belíssima de Deus.
Olhemos à nossa volta. Há tanta gente precisando de ajuda. Olhe à sua volta. Acaso não há ao seu lado alguém desejando que você o estenda a mão? Volte a sua atenção especialmente para os mais idosos. Já notou o quanto alguns deles estão tão mal cuidados? Olhe também, de forma especial, para as pessoas com problemas psicológicos. Percebe como elas são maltratadas, como as pessoas, em vez de ajudá-las, ficam caçoando, fazendo piadinhas?
Não se gasta nada dando amor. Quem mais ganha não é quem recebe é quem doa. Não nos enganemos acreditando que para ajudar é preciso dispor de uma grande quantia de dinheiro. Às vezes, as coisas de que uma pessoa mais precisa nem podem ser compradas. Em alguns casos, uma boa dose de respeito, carinho, solidariedade e amor fariam toda a diferença. E isso não custa nada!
Não sejamos para sempre pedras brutas. É preciso deixar que Deus nos aperfeiçoe. Eu precisei estar diante do sofrimento para me deixar aperfeiçoar. Mas não é necessário passar pela dor para saber que ela existe e para se preocupar com os que sofrem. Basta apenas olhar em volta e se deixar tocar.
 
Dalva Ribeiro

quarta-feira, 9 de maio de 2012

MÃE E FILHOS



Em 2002, recebi um livro-cartão do meu filho caçula dizendo:  "Mãe, a Sra. nunca estará só!
A cada ano que passa, aumenta o nosso sentimento de amor e amizade, ademais; estou convencido de que a Sra. é o meu anjo da guarda!."
Dez anos se passaram, hoje ele é um "Pai doce."

Paro pra pensar e olhar o passado, passado em que eu não sabia dizer "Eu te Amo."
Passado, em que minha mãe também não sabia dizer "Eu te Amo", porém, nossas ações, mostravam e mostraram nosso imenso amor.
Nesse embalo, fui uma supermãe criadora de casos. Fui briguenta, cobradora e  exigente, mas fui doadora.
Hoje, eles estão aí, cumprindo suas missões. 
Dentro das mentes, eternas recordações; de uma mãe junto da cama, fazendo orações pra dormir, de todos os domingos na igreja, das tardes de leituras na cama, dos piqueniques  no campo, das macarronadas dos domingos, das tarefas em conjunto, e dos cadernos decorados, temos de incluir as chineladas no banheiro, é claro.

Com certeza, amor não rima apenas com dor, amor rima com calor, brincadeiras, gargalhadas e muita palhaçada.
Hoje, eles são cinco "Amorosos Palhaços", Rubem Alves, diz no seu Livro "Palavras que Desatam nós", que alegria e música são os alimentos da alma. Por isso hoje, homenageio minha mãe, ela era a alegria e a música da vida de todos nós, ensinou-nos a sorrir e a cantar. Agora, aprendi com meus netos a dizer  "Eu te Amo",  de onde ela estiver, que escute o meu 
grito:  "EU TE AMO MÃE"..............Hoje o seu presente é a Elis, a sua  mais nova bisneta.
Por todas as vezes que eu não disse, declaro, em alto e bom som:
        "MEUS  FILHOS , EU AMO VOCÊS"             

terça-feira, 24 de abril de 2012

Para quem acredita em heróis

Eis um novo texto escrito pela amiga Dalva.
Sua narrativa nos enriquece, pois traz sua vivência como
paciente de Hemodiálise do hospital Filadelfia.

Para quem ainda acredita em heróis
Houve um tempo, lá na minha infância, em que acreditei em heróis. Por muito tempo, confiei que os príncipes dos contos de fadas que ouvia eram seres capazes de mudar o mundo. Admirava-me a força, audácia e coragem de todos os heróis das histórias que li.
Depois, na adolescência, vieram os romances e fui com as heroínas de José de Alencar conhecer mancebos garbosos, de caráter imaculado e tamanha gentileza que foi impossível não me apaixonar perdidamente por eles. E o que dizer, então, daqueles moços tão bonitos, leais e educados que figuravam nos romances da Sabrina? Toda semana eu me perdia de amores por um deles. Bastava abrir o livro, colocar meus olhos em tão belos rapazes, e pronto; Lá estava eu caidinha de novo!
Todavia, com o tempo, percebi que aqueles heróis só existiam mesmo era no mundo da imaginação. Na vida real, as coisas são diferentes. As mocinhas não são tão belas assim, tampouco são tão garbosos e gentis os rapazes. Difícil acreditar em heróis em um mundo onde, cada vez mais, os maus sentimentos são cultivados, ao passo que o amor, a solidariedade e a tolerância vão sendo deixados de lado. Constatar tudo isso, me fez andar um tempo descrente em heróis.
Porém, dia desses, o inesperado aconteceu. Conheci um herói. E não foi ao abrir um livro. Não! Esse que conheci existe de verdade. Sei que estão duvidando. Mas acreditem: heróis existem! À primeira vista não se desconfia que ele seja um guerreiro. Tão diferente dos heróis da minha infância, que reinavam em terras distantes, o reino desse herói que encontrei é a sala de hemodiálise do hospital Filadélfia em Teófilo Otoni.  Sua batalha? Ah, sua batalha é a luta diária de alguém que sofre de insuficiência renal.
Há quem deva estar imaginando esse homem, capaz de ser herói em tempos tão difíceis e em situação tão pouco propícia para se aventurar em batalhas. Provavelmente, estão fantasiando alguém ainda forte, com sentidos perfeitos para enfrentar seus inimigos, no caso da hemodiálise: agulhas, dores, filas de espera, longas viagens. Erraram na imagem que fizeram dele. Mas isso se desculpa. Aprendemos, desde a nossa infância, que os heróis são belos, perfeitos. Fomos enganados. Heróis de verdade trazem no corpo as marcas de suas batalhas, mas isso não os faz menos admiráveis. Assim é o cavalheiro que conheci.
Todos os dias, ele chega para o tratamento de hemodiálise. Desce do carro, dá o braço a sua bela dama – moça tão distinta! -  e anda até sua cadeira. Até aí nada de surpreendente, não fosse o fato de ele ter as duas pernas amputadas, sobrando-lhe apenas dois toquinhos com os quais se locomove. Tudo isso já faz dele um homem admirável, mas ele também perdeu a visão. Provavelmente, em alguma batalha.
O que mais me encanta nesse homem é que nunca o vi de cara amarrada, tampouco já o ouvi reclamar. Enquanto enfrenta as quatro horas de diálise, ele canta e, se alguém puxar papo com ele, conversa, ri e conta piadas.
Creio que é preciso prestarmos atenção na lição que ele nos dá. Estamos sempre insatisfeitos com a vida. Acreditamos, piamente, que nossos problemas, nosso sofrimento são os maiores do universo. Não pretendo menosprezar o sofrimento de ninguém, não quero ensinar coisas que também ainda necessito aprender. Mas é que a vida me mostrou algo que eu precisava enxergar e quero dividir isso com vocês.
Também eu já reclamei da vida, quando tinha tudo para ser feliz. Também eu ainda reclamo da vida, quando tenho braços, pernas, olfato, visão, audição e paladar perfeitos. Contudo, aprendi com esse herói que por piores que sejam nossos problemas, sempre haverá motivos para sorrir e ser feliz. Reclamar da vida não resolverá nossos problemas, pelo contrário, só nos fará mais infelizes e deixará mais tristes as pessoas que nos amam.
Não façamos a nossa vida mais difícil. Somos sempre muito mais fortes e capazes do que imaginamos. É preciso apenas que não nos acovardemos. Acredito que também posso ser uma heroína, pois essa minha luta no tratamento contra a hemodiálise só eu poderei vencê-la. Existirão os que vão diminuir minhas batalhas, mas só eu sei como lutei e quantos exércitos tive que vencer. Tenho certeza de que, como eu, há tantas outras pessoas, enfrentando os mesmos monstros, vencendo os mesmos obstáculos. Desejo que sejam fortes e oxalá todos nós, todos os homens do mundo sejam um pouquinho só valentes, um pouquinho só persistentes como esse herói que conheci e que lhes apresentei para que saibamos que verdadeiros guerreiros não são feitos de corpos perfeitos e rostinhos bonitos, mas de coragem para lutar, mesmo quando as situações são adversas.




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Eis um novo texto escrito pela amiga Dalva.
Sua narrativa nos enriquece, pois traz sua vivência como
paciênte de Hemodiálise do hospital Filadelfia.

Para quem ainda acredita em heróis
Houve um tempo, lá na minha infância, em que acreditei em heróis. Por muito tempo, confiei que os príncipes dos contos de fadas que ouvia eram seres capazes de mudar o mundo. Admirava-me a força, audácia e coragem de todos os heróis das histórias que li.
Depois, na adolescência, vieram os romances e fui com as heroínas de José de Alencar conhecer mancebos garbosos, de caráter imaculado e tamanha gentileza que foi impossível não me apaixonar perdidamente por eles. E o que dizer, então, daqueles moços tão bonitos, leais e educados que figuravam nos romances da Sabrina? Toda semana eu me perdia de amores por um deles. Bastava abrir o livro, por meus olhos em tão belos rapazes, e pronto; Lá estava eu caidinha de novo!
Todavia, com o tempo, percebi que aqueles heróis só existiam mesmo era no mundo da imaginação. Na vida real, as coisas são diferentes. As mocinhas não são tão belas assim, tampouco são tão garbosos e gentis os rapazes. Difícil acreditar em heróis em um mundo onde, cada vez mais, os maus sentimentos são cultivados, ao passo que o amor, a solidariedade e a tolerância vão sendo deixados de lado. Constar tudo isso, me fez andar um tempo descrente em heróis.
Porém, dia desses, o inesperado aconteceu. Conheci um herói. E não foi ao abrir um livro. Não! Esse que conheci existe de verdade. Sei que estão duvidando. Mas acreditem: heróis existem! À primeira vista não se desconfia que ele seja um guerreiro. Tão diferente dos heróis da minha infância, que reinavam em terras distantes, o reino desse herói que encontrei é a sala de hemodiálise do hospital Filadélfia em Teófilo Otoni.  Sua batalha? Ah, sua batalha é a luta diária de alguém que sofre de insuficiência renal.
Há quem deva estar imaginando esse homem, capaz de ser herói em tempos tão difíceis e em situação tão pouco propícia para se aventurar em batalhas. Provavelmente, estão fantasiando alguém ainda forte, com sentidos perfeitos para enfrentar seus inimigos, no caso da hemodiálise: agulhas, dores, filas de espera, longas viagens. Erraram na imagem que fizeram dele. Mas isso se desculpa. Aprendemos, desde a nossa infância, que os heróis são belos, perfeitos. Fomos enganados. Heróis de verdade trazem no corpo as marcas de suas batalhas, mas isso não os faz menos admiráveis. Assim é o cavalheiro que conheci.
Todos os dias, ele chega para o tratamento de hemodiálise. Desce do carro, dá o braço a sua bela dama – moça tão distinta! -  e anda até sua cadeira. Até aí nada de surpreendente, não fosse o fato de ele ter as duas pernas amputadas, sobrando-lhe apenas dois toquinhos com os quais se locomove. Tudo isso já faz dele um homem admirável, mas ele também perdeu a visão. Provavelmente, em alguma batalha.
O que mais me encanta nesse homem é que nunca o vi de cara amarrada, tampouco já o ouvi reclamar. Enquanto enfrenta as quatro horas de diálise, ele canta e, se alguém puxar papo com ele, conversa, ri e conta piadas.
Creio que é preciso prestarmos atenção na lição que ele nos dá. Estamos sempre insatisfeitos com a vida. Acreditamos, piamente, que nossos problemas, nosso sofrimento são os maiores do universo. Não pretendo menosprezar o sofrimento de ninguém, não quero ensinar coisas que também ainda necessito aprender. Mas é que a vida me mostrou algo que eu precisava enxergar e quero dividir isso com vocês.
Também eu já reclamei da vida, quando tinha tudo para ser feliz. Também eu ainda reclamo da vida, quando tenho braços, pernas, olfato, visão, audição e paladar perfeitos. Contudo, aprendi com esse herói que por piores que sejam nossos problemas, sempre haverá motivos para sorrir e ser feliz. Reclamar da vida não resolverá nossos problemas, pelo contrário, só nos fará mais infelizes e deixará mais tristes as pessoas que nos amam.
Não façamos a nossa vida mais difícil. Somos sempre muito mais fortes e capazes do que imaginamos. É preciso apenas que não nos acovardemos. Acredito que também posso ser uma heroína, pois essa minha luta no tratamento contra a hemodiálise só eu poderei vencê-la. Existirão os que vão diminuir minhas batalhas, mas só eu sei como lutei e quantos exércitos tive que vencer. Tenho certeza de que, como eu, há tantas outras pessoas, enfrentando os mesmos monstros, vencendo os mesmos obstáculos. Desejo que sejam fortes e oxalá todos nós, todos os homens do mundo sejam um pouquinho só valentes, um pouquinho só persistentes como esse herói que conheci e que lhes apresentei para que saibamos que verdadeiros guerreiros não são feitos de corpos perfeitos e rostinhos bonitos, mas de coragem para lutar, mesmo quando as situações são adversas.




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Sua narrativa nos enriquece, pois traz sua vivência como
paciênte de Hemodiálise do hospital Filadelfia.

Para quem ainda acredita em heróis
Houve um tempo, lá na minha infância, em que acreditei em heróis. Por muito tempo, confiei que os príncipes dos contos de fadas que ouvia eram seres capazes de mudar o mundo. Admirava-me a força, audácia e coragem de todos os heróis das histórias que li.
Depois, na adolescência, vieram os romances e fui com as heroínas de José de Alencar conhecer mancebos garbosos, de caráter imaculado e tamanha gentileza que foi impossível não me apaixonar perdidamente por eles. E o que dizer, então, daqueles moços tão bonitos, leais e educados que figuravam nos romances da Sabrina? Toda semana eu me perdia de amores por um deles. Bastava abrir o livro, por meus olhos em tão belos rapazes, e pronto; Lá estava eu caidinha de novo!
Todavia, com o tempo, percebi que aqueles heróis só existiam mesmo era no mundo da imaginação. Na vida real, as coisas são diferentes. As mocinhas não são tão belas assim, tampouco são tão garbosos e gentis os rapazes. Difícil acreditar em heróis em um mundo onde, cada vez mais, os maus sentimentos são cultivados, ao passo que o amor, a solidariedade e a tolerância vão sendo deixados de lado. Constar tudo isso, me fez andar um tempo descrente em heróis.
Porém, dia desses, o inesperado aconteceu. Conheci um herói. E não foi ao abrir um livro. Não! Esse que conheci existe de verdade. Sei que estão duvidando. Mas acreditem: heróis existem! À primeira vista não se desconfia que ele seja um guerreiro. Tão diferente dos heróis da minha infância, que reinavam em terras distantes, o reino desse herói que encontrei é a sala de hemodiálise do hospital Filadélfia em Teófilo Otoni.  Sua batalha? Ah, sua batalha é a luta diária de alguém que sofre de insuficiência renal.
Há quem deva estar imaginando esse homem, capaz de ser herói em tempos tão difíceis e em situação tão pouco propícia para se aventurar em batalhas. Provavelmente, estão fantasiando alguém ainda forte, com sentidos perfeitos para enfrentar seus inimigos, no caso da hemodiálise: agulhas, dores, filas de espera, longas viagens. Erraram na imagem que fizeram dele. Mas isso se desculpa. Aprendemos, desde a nossa infância, que os heróis são belos, perfeitos. Fomos enganados. Heróis de verdade trazem no corpo as marcas de suas batalhas, mas isso não os faz menos admiráveis. Assim é o cavalheiro que conheci.
Todos os dias, ele chega para o tratamento de hemodiálise. Desce do carro, dá o braço a sua bela dama – moça tão distinta! -  e anda até sua cadeira. Até aí nada de surpreendente, não fosse o fato de ele ter as duas pernas amputadas, sobrando-lhe apenas dois toquinhos com os quais se locomove. Tudo isso já faz dele um homem admirável, mas ele também perdeu a visão. Provavelmente, em alguma batalha.
O que mais me encanta nesse homem é que nunca o vi de cara amarrada, tampouco já o ouvi reclamar. Enquanto enfrenta as quatro horas de diálise, ele canta e, se alguém puxar papo com ele, conversa, ri e conta piadas.
Creio que é preciso prestarmos atenção na lição que ele nos dá. Estamos sempre insatisfeitos com a vida. Acreditamos, piamente, que nossos problemas, nosso sofrimento são os maiores do universo. Não pretendo menosprezar o sofrimento de ninguém, não quero ensinar coisas que também ainda necessito aprender. Mas é que a vida me mostrou algo que eu precisava enxergar e quero dividir isso com vocês.
Também eu já reclamei da vida, quando tinha tudo para ser feliz. Também eu ainda reclamo da vida, quando tenho braços, pernas, olfato, visão, audição e paladar perfeitos. Contudo, aprendi com esse herói que por piores que sejam nossos problemas, sempre haverá motivos para sorrir e ser feliz. Reclamar da vida não resolverá nossos problemas, pelo contrário, só nos fará mais infelizes e deixará mais tristes as pessoas que nos amam.
Não façamos a nossa vida mais difícil. Somos sempre muito mais fortes e capazes do que imaginamos. É preciso apenas que não nos acovardemos. Acredito que também posso ser uma heroína, pois essa minha luta no tratamento contra a hemodiálise só eu poderei vencê-la. Existirão os que vão diminuir minhas batalhas, mas só eu sei como lutei e quantos exércitos tive que vencer. Tenho certeza de que, como eu, há tantas outras pessoas, enfrentando os mesmos monstros, vencendo os mesmos obstáculos. Desejo que sejam fortes e oxalá todos nós, todos os homens do mundo sejam um pouquinho só valentes, um pouquinho só persistentes como esse herói que conheci e que lhes apresentei para que saibamos que verdadeiros guerreiros não são feitos de corpos perfeitos e rostinhos bonitos, mas de coragem para lutar, mesmo quando as situações são adversas.




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Sua narrativa nos enriquece, pois traz sua vivência como
paciênte de Hemodiálise do hospital Filadelfia.

Para quem ainda acredita em heróis
Houve um tempo, lá na minha infância, em que acreditei em heróis. Por muito tempo, confiei que os príncipes dos contos de fadas que ouvia eram seres capazes de mudar o mundo. Admirava-me a força, audácia e coragem de todos os heróis das histórias que li.
Depois, na adolescência, vieram os romances e fui com as heroínas de José de Alencar conhecer mancebos garbosos, de caráter imaculado e tamanha gentileza que foi impossível não me apaixonar perdidamente por eles. E o que dizer, então, daqueles moços tão bonitos, leais e educados que figuravam nos romances da Sabrina? Toda semana eu me perdia de amores por um deles. Bastava abrir o livro, por meus olhos em tão belos rapazes, e pronto; Lá estava eu caidinha de novo!
Todavia, com o tempo, percebi que aqueles heróis só existiam mesmo era no mundo da imaginação. Na vida real, as coisas são diferentes. As mocinhas não são tão belas assim, tampouco são tão garbosos e gentis os rapazes. Difícil acreditar em heróis em um mundo onde, cada vez mais, os maus sentimentos são cultivados, ao passo que o amor, a solidariedade e a tolerância vão sendo deixados de lado. Constar tudo isso, me fez andar um tempo descrente em heróis.
Porém, dia desses, o inesperado aconteceu. Conheci um herói. E não foi ao abrir um livro. Não! Esse que conheci existe de verdade. Sei que estão duvidando. Mas acreditem: heróis existem! À primeira vista não se desconfia que ele seja um guerreiro. Tão diferente dos heróis da minha infância, que reinavam em terras distantes, o reino desse herói que encontrei é a sala de hemodiálise do hospital Filadélfia em Teófilo Otoni.  Sua batalha? Ah, sua batalha é a luta diária de alguém que sofre de insuficiência renal.
Há quem deva estar imaginando esse homem, capaz de ser herói em tempos tão difíceis e em situação tão pouco propícia para se aventurar em batalhas. Provavelmente, estão fantasiando alguém ainda forte, com sentidos perfeitos para enfrentar seus inimigos, no caso da hemodiálise: agulhas, dores, filas de espera, longas viagens. Erraram na imagem que fizeram dele. Mas isso se desculpa. Aprendemos, desde a nossa infância, que os heróis são belos, perfeitos. Fomos enganados. Heróis de verdade trazem no corpo as marcas de suas batalhas, mas isso não os faz menos admiráveis. Assim é o cavalheiro que conheci.
Todos os dias, ele chega para o tratamento de hemodiálise. Desce do carro, dá o braço a sua bela dama – moça tão distinta! -  e anda até sua cadeira. Até aí nada de surpreendente, não fosse o fato de ele ter as duas pernas amputadas, sobrando-lhe apenas dois toquinhos com os quais se locomove. Tudo isso já faz dele um homem admirável, mas ele também perdeu a visão. Provavelmente, em alguma batalha.
O que mais me encanta nesse homem é que nunca o vi de cara amarrada, tampouco já o ouvi reclamar. Enquanto enfrenta as quatro horas de diálise, ele canta e, se alguém puxar papo com ele, conversa, ri e conta piadas.
Creio que é preciso prestarmos atenção na lição que ele nos dá. Estamos sempre insatisfeitos com a vida. Acreditamos, piamente, que nossos problemas, nosso sofrimento são os maiores do universo. Não pretendo menosprezar o sofrimento de ninguém, não quero ensinar coisas que também ainda necessito aprender. Mas é que a vida me mostrou algo que eu precisava enxergar e quero dividir isso com vocês.
Também eu já reclamei da vida, quando tinha tudo para ser feliz. Também eu ainda reclamo da vida, quando tenho braços, pernas, olfato, visão, audição e paladar perfeitos. Contudo, aprendi com esse herói que por piores que sejam nossos problemas, sempre haverá motivos para sorrir e ser feliz. Reclamar da vida não resolverá nossos problemas, pelo contrário, só nos fará mais infelizes e deixará mais tristes as pessoas que nos amam.
Não façamos a nossa vida mais difícil. Somos sempre muito mais fortes e capazes do que imaginamos. É preciso apenas que não nos acovardemos. Acredito que também posso ser uma heroína, pois essa minha luta no tratamento contra a hemodiálise só eu poderei vencê-la. Existirão os que vão diminuir minhas batalhas, mas só eu sei como lutei e quantos exércitos tive que vencer. Tenho certeza de que, como eu, há tantas outras pessoas, enfrentando os mesmos monstros, vencendo os mesmos obstáculos. Desejo que sejam fortes e oxalá todos nós, todos os homens do mundo sejam um pouquinho só valentes, um pouquinho só persistentes como esse herói que conheci e que lhes apresentei para que saibamos que verdadeiros guerreiros não são feitos de corpos perfeitos e rostinhos bonitos, mas de coragem para lutar, mesmo quando as situações são adversas.




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