BLOG DA MARLENE

Aqui quero fazer um espaço de boa comunicação com meus amigos leitores. Seja bem vindo!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A CORRENTE DO BEM

O Rei Davi escreveu  essa joia poética:  "Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite. Sem linguagem, sem fala, ouvem-se suas vozes".
No meu dia a dia, descobri que nós também fazemos, silenciosamente, declarações de cortesia aos nossos amigos. Por ocasião das festas de ano novo, recebi muitos presentes. Certo dia, uma vizinha me chamou para entregar um pratinho contendo pedaços de bolo confeitado. Gostei do gesto e resolvi dar parte deles para outra vizinha. No dia seguinte recebi dessa, um pratinho cheio de pastéis, que chegou justamente na hora do lanche. Era o milagre da multiplicação. Li certa vez uma história  marcante, falando a respeito de como um gesto nosso, pode mudar o contexto da vida do nosso semelhante; falava de uma professora que tinha uma aluna adolescente. Observando aquela menina descuidada, ela resolveu ajudá-la, sem palavras.  Ao passar diante de uma vitrine, um vestido chamou-lhe a atenção, ela o comprou pensando naquela aluna. No dia seguinte a professora chamou sua aluna em particular e entregou-lhe o embrulho, pedindo que o usasse  para vir às aulas durante um tempo.
A menina chegou em casa ansiosa para ver o seu presente, sua casa também era o seu estilo, descuidada, desarranjada e suja.  Ao ver o belo   embrulho, sua mãe entusiasmada ajuda-a  e se encanta com o conteúdo, um lindo vestido. Para experimentá-lo era preciso um banho demorado, e quanto mais a menina se lavava, mais precisava se lavar. Assim como nunca havia feito, lá estava a menina de unhas, cabelos e corpo limpo.   Ao vê-la assim, tão linda com aquele vestido, sua mãe se encantou. Ela, fitou o espelho se redescobrindo, e seguiu então para a escola na manhã do dia seguinte.  
Em casa, sua mãe se sentiu motivada a cuidar da limpeza. A lembrança daquela menina-moça, tão linda, animou-a e a casa sofreu uma profunda transformação. Quando seu pai chegou para o almoço, encontrou uma casa cheirando a limpeza, resolveu então cooperar pintando as paredes.
Ao chegar da escola, a menina se surpreendeu com a nova casa, e contou da alegria de todos com a sua nova postura. No dia seguinte, a mudança ganhou fôlego; entusiasmada, sua mãe  plantou um jardim na frente da casa, e seu pai cooperou cercando-o.
A vizinha observou todo esse movimento, e também resolveu imitá-los. Em pouco tempo, todos os outros vizinhos seguiram o exemplo. Depois de alguns dias, a rua já não era mais a mesma, estendo-se ao bairro todo.  Passando por ali o agente comunitário do bairro, admirou-se  e procurou o setor da prefeitura, onde notificou  sua observação.  Foi assim que, em pouco tempo, o prefeito autorizou o calçamento daquela rua, e o que era terra, virou asfalto.  
A professora, jamais imaginou que seu pequeno presente, se transformaria numa contagiante corrente do bem. 
Quando somos tocados pela bondade, algo se irradia, e assim acontecem as grandes e inexplicáveis transformações, vindas de um pequeno gesto de cortesia ou fraternidade.

"O prazer de fazer o bem, é maior que o de recebê-lo"


Marlene Campos Vieira

domingo, 18 de janeiro de 2015

O PRINCÍPIO E O FIM

Conta-se, que no alto de uma montanha havia uma pequena árvore, que sonhava com o que seria depois de grande. Olhando as estrelas ela disse: Eu quero ser o baú mais precioso do mundo, cheio de tesouros, para isso estou disposta até a ser cortada.
Depois de muitos anos, veio um lenhador e cortou aquela árvore. Ela estava ansiosa para ser transformada naquilo com que sonhara, mas lenhadores não costumam ouvir e nem entender sonhos, que pena! Sendo assim, a árvore acabou sendo transformada num cocho de animais, coberto de feno.  Ela se perguntou desiludida e triste: Por que isso, justo comigo?
Aconteceu que numa certa noite, cheia de luz e de estrelas, onde haviam mil melodias no ar, uma jovem mulher colocou seu filho recém-nascido naquele cocho de animais, e de repente, a árvore percebeu que continha o maior tesouro do mundo: " O Menino Deus".
Conta outra lenda, que uma criança ficava sentada num banquinho enquanto sua mãe bordava; Ela crescia, e o bordado também. O tempo passava, e todas as tardes os dois ali, no mesmo lugar. Um dia, a criança observa o bordado do ângulo que pode ver - do avesso,  e imagina  que horrível coisa será aquela, cheia de nós, repleto de traços de todas as cores, complexo, sem nexo.
Depois de muito tempo,  aquela mãe chama seu filho e lhe mostra o bordado pronto. A criança fica paralisada diante daquela bela imagem, cheia de cores e de  arte. 
Na vida real, temos histórias de vida com finais surpreendentes. Conheci um Sr. que foi abençoado com muitas riquezas. Dia após dia ele recebia da natureza grandes preciosidades. Em um dos seus aniversários, ganhou de um garimpeiro, uma valiosa pedra preciosa, incrível, mas ninguém jamais ouviu dele, um só agradecimento por tanta bem-aventurança. Coberto pela poeira das estrelas, ele escreveu o seu final, imaginando-se no trono do seu  império. Hoje, após perder todos os bens, perdeu também o maior deles: a sua saúde. 
Fica então uma sábia conclusão: a árvore teve sonhos, mas sua realização foi mil vezes melhor do que havia imaginado. Como a criança do bordado, nós vemos por partes os caminhos percorridos, e as vezes pelo avesso. Somos incapazes de ver o trajeto todo.
Pequenos ou grandes, corriqueiros ou não, os prodígios divinos se encontram bem ai,  ao alcance de todos. Debaixo do calor sufocante desse inédito verão, de repente entra pela janela um sopro de vento, tão profundo e imenso, que sempre imagino seja o sopro do criador.  
Que jamais percamos os caminhos, tendo em mãos uma grande arma: a sabedoria.
Importante, é viver todos os dias como se fosse o último, pois não se pode recuperar  um só segundo do que se passou. 

Marlene Campos Vieira

sábado, 10 de janeiro de 2015

NINGUÉM PODE PARAR MEU CORAÇÃO

Quando eu era pequena, morava à beira de um rio; ali gostava de ficar.   As pessoas iam ao rio para  lavar tudo o que queriam e pescar. Todos os dias eu me divertia, sentada numa pedra na beirada do rio, com uma bacia no colo, enchia a bacia de água com peixinhos; as horas passavam e  eu compenetrada esquecia-me do mundo.
Certo dia, enquanto observava os peixinhos, senti um grande peso no colo; descobri a causa quando dei de cara, com a cara de uma imensa cobra d'água, que se enrolara em volta da bacia para comer os peixes. A bacia se foi com peixes e a  cobra; corri como nunca...
Vejo hoje, que o amor pela natureza cresce; ninguém pode parar um coração que ama. Somos tão carimbados por esse amor, que conhecemos nossos iguais.
Tenho uma amiga que gosta de plantar, fica horas no seu quintal, plantando e conversando com os pássaros. Eles são tão amigos que pousam nos seus ombros, aceitam farelos e cantam. É lindo de se ver!..
Minha amiga fez amizade até com um jacaré, que mora na lagoa da pracinha; deu-lhe o nome de Jota, e todos os dias passa pra vê-lo.
Discursando para os formandos da Universidade de Stanford, Steve Jobs disse: "Não permitam que o ruido das outras vozes, supere o sussurro de sua voz interior. E, acima de tudo, tenham a coragem de seguir seu coração e suas intuições."
O sol muitas vezes aparece incandescente, de repente acontece o inesperado e desce uma chuva torrencial, até o sol se espanta.  A terra se silencia para ouvir o barulho do céu. Dentro de nós muitas vezes o sol se faz, e num inesperado ao ritmo das emoções, as lágrimas surgem como gotas de chuva.  São estouros das comportas do coração, desabafos; prantos contidos. Uma limpeza interior, que nos permitirá renovação. Nossa meta é ser aprendiz de girassol, buscando o lado luz da vida. Estar sempre de bem com a grande festa colorida, olhando o nosso jardim, superando os espinhos das rosas.
Ver além do visível, é arte divina. Toquinho diz nos versos da música Aquarela; "Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul de papel, num minuto imagino uma linda gaivota a voar no céu." Imaginação, sensibilidade, sem isso seríamos seres inanimados. Ver além, nos faz divinos-humanos.
Batidas!... Pancadas!...Bate coração, ao ritmo de cada um. 
Seres humanos que se complementam. Seres humanos, com diferenciais que se harmonizam, na busca do respeito pelos ideais de todos.
     
Marlene Campos Vieira

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

ESTAVA ESCRITO EM MÚSICA, PROSA E VERSO...

Amanhece .........
Levanto agitada pensando no meu plano do dia.

Plano sonhado e planejado a três, com todo entusiasmo familiar.
Três irmãs que pela estrada afora seguem bem contentes, como se fossem o Chapeuzinho Vermelho, em contagem regressiva. Assim começa nossa volta ao passado. Cada uma  de nós morando em cidades diferentes, depois de quase cinquenta anos; em busca de sua história.

A viagem não me pareceu normal, enquanto o carro corria eu me sentia como uma borboleta voando a cada flor, incapaz de prever o próximo minuto.
Foi tão depressa que comparei o passado a uma colcha de retalhos, que dobrada bem guardada, nos parece distante muito embora esteja no mesmo lugar; Nosso passado também estava tão perto, e parecia tão longe......
Ali sentada na rodoviária, esperando minhas irmãs, acontece o meu reencontro emocionado. Minha comadre e minha afilhada chegam, me reconhecem e nos abraçamos felizes. Quase naquele momento também chegam minhas irmãs, e tudo vira sorrisos.
Depois desse momento jamais seremos os mesmos.
No rosto de cada uma vemos o ontem no hoje; As palavras saem de todas nós como uma avalanche. 
Como disse Roberto Carlos:" São tantas emoções!"....
A noite chega e nos dividimos, eu fico com minha comadre, elas vão  pra casa da prima. A partir desse momento, contamos casos, lembramos nossas histórias, mostramos fotos. Muitas emoções nos envolvem, e arrancam sorrisos e lágrimas.
Minha afilhada, agora uma grande mulher, uma capacitada e forte empresária, dentro dos olhos, aquele mesmo brilho da pequena-querida afilhada do passado.
Sentada naquela mesa, daquela casa tão minha também, ouço bater forte o coração e me parece ouvir ao longe os versos musicais: "Naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele tá doendo em mim"...Ele, o meu primo, partiu há pouco tempo deixando um grade vazio. Não posso demonstrar a dor, minha prima ainda está se curando.
No dia seguinte, vamos reconhecer nossa cidade, aqui e ali. O coração bate forte a cada passo, e canta uma música ao contrario: "Ô..ô,ô ô ô, tudo mudou"!
Reconheço apenas, quando meus passos se aproximam da praça, e vejo as primeiras palmeiras. Ali está a Cidade das Palmeiras. Elas nos levam até a Catedral. Meu coração canta: " A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores o mesmo jardim"..... Eu entro na Igreja e agradeço, agradeço tanto... tanto....tanto, poder viver esse momento ao lado de quem tanto amo. Lágrimas correm, em busca de tudo que aqui deixei.
Hoje, de volta pra casa, acordei pensando em tudo isso, pensando em como nos mantivemos distantes, embora no amemos tanto e moremos tão perto. Parece que encontrei a resposta, olhando uma foto.   A foto do meu casamento, onde duas crianças brincam; minha irmã e minha afilhada. Naquele momento personagens, tiveram agora o papel de atores principais, programando e executando esse grande reencontro de família. Com certeza, Deus delegou a elas essa missão. 
Todos juntos, num abraço feliz, na casa de uns, na casa de outros, crianças e adultos 
em comemoração à vida, que é bonita é bonita e é  bonita...
Sinto agora bem no fundo da alma, os versos de St, Thomas Moru: 
  "Dai-me, Senhor, uma alma simples,
que saiba aproveitar tudo o que é bom
e que não se assuste quando o mal chegar,
e sim que encontre a maneira de colocar as coisas no lugar.
Para começar o Novo Ano, com o cheiro de frutas da casa da prima e flores da minha casa casa,  (do jeito como se postam nossos arranjos). Faremos então nossa árvore Genealógica, plantada no solo onde jorra o 
adubo da felicidade. 


Com o coração cheio de amor:" Família... Família .... eu te amo!"


   "Feliz Ano Novo!"...

Marlene Campos Vieira

sábado, 8 de novembro de 2014

REENCONTRO

A natureza é um espelho, e dela podemos tirar belas  lições.
Ao observar as árvores da minha rua, encanto-me com uma árvore, que de um lado da calçada, abraça a outra do outro lado. Elas se misturam tanto que nunca sabemos de quem são as flores.
Assim era a nossa vida quando ainda crianças e adolescentes.  Moramos na cidade onde nasci durante muitos anos, e lá estavam nossos poucos e queridos parentes.
Éramos como as árvores da minha rua...
Passamos dias felizes com nossos primos e primas, éramos amigos pra valer. Nos momentos mais tristes, lá estavam eles de braços e abraços aconchegantes, enxugando nossas lágrimas. Passamos por grandes perdas, e sempre tivemos o conforto e a ajuda deles.
Assim como o sol e o ar em todas as manhãs, lá estavam eles todos os dias, dizendo um bom dia!...
Eu e minha irmã ganhamos nossa primeira afilhada: nossa priminha; Um encanto de menina, linda, meiga e carinhosa.
Chegou o dia do adeus, a vida nos separou. Depois da perda do nosso pai, ainda abalados tivemos que mudar da nossa cidade. Deixamos nossos parentes-amigos e saímos com uma chaga no peito. O mundo se complicou tanto, que as distancias cresceram, e lá ficaram nossos queridos primos.
Nós partimos para os vales de Minas, com a grande tarefa de descobrir e conquistar o novo mundo, plantar raízes, frutificar... No coração as lembranças eternas, no dia a dia a correria pra sobreviver, e o tempo passando, e a saudade a doer no peito!
Depois de tanto tempo, as crianças se tornaram adultas, casaram-se. Hoje, lá e cá aconteceu o milagre da multiplicação. Só agora, depois de tantos anos, depois de grandes perdas e grandes conquistas, fomos em busca de nossos amigos irmãos.
Uma grande dama de olhos azuis, a pessoa mais humana e perfeita; nossa prima.  A primeira palavra, grande alegria e emoção ao ouvir aquela voz inconfundível, e rememorar os belos tempos. Agora estaremos fazendo planos para, em um futuro próximo, marcar um reencontro feliz.
As árvores já não estão florindo juntas, mas as flores do passado perfumarão para sempre as nossas vidas.
Velhos tempos, belos dias... 

Marlene Campos Vieira

sábado, 27 de setembro de 2014

BATE CORAÇÃO...

            
Grande inverno, a natureza registra tudo,
as folhas  caem.....caem.....
Uma a uma, as folhas caem como lágrimas, das árvores, abrindo os braços ao inverno. 
Esperando pacientemente a primavera que restaurará cada folha caída.
Aceitar o inverno que praticamente nos deixa nus,  e aparentemente indefesos, é ter fé que abraçaremos a primavera no tempo certo.
O tempo chegou, o Pequeno Príncipe Valente, combateu  o bom combate, venceu e trouxe  um coração mais forte, pronto para viver uma vida de alegrias.
Assim começa a história de vida de um guerreiro, de peito partido para receber a dádiva da vida, através de uma válvula artificial, desde os seus primeiros meses de vida.
Ele sofreu todas as dores possíveis, sem fugir à luta, estendendo os braços e o coração, para todos os procedimentos necessários.
A primavera está chegando para ele e pra todos nós. Na sua cidade, comemora-se a sua vitória, ela é a vitória de todos.
Ele se tornou uma figura popular, todos ergueram as mãos; oraram e torceram por ele. Seus colegas de escola, foram visitá-lo,  cheios de carinho e admiração, fizeram uma camisa com seu nome.
Agora: aos 11 anos, depois da sexta cirurgia, com certeza o Príncipe Valente, receberá a coroa de rei, já que: "Todo menino é um rei"
Erguendo as mãos, ao Criador, olhando as árvores revestidas, louvamos e bendizemos pela vida do nosso  Pequeno menino. Depois das batalhas do inverno,   ele chegou com a  primavera, para todos nós, trazendo novas alegrias. Agora o sorriso substitui as lágrimas, as flores ressurgem em todos os lugares,  conosco um príncipe, um rei,
 "O nosso Menino".

 Marlene Campos Vieira

quinta-feira, 15 de maio de 2014

A ÁGUA E AS ROSAS

 
No dia das mães ganhei  rosas de presente, foram presente de uma amiga muito querida, eu as coloquei em uma jarra com bastante água. Hoje ao me aproximar, vi que elas estavam murchas, troquei a água e nada. Fiquei tão triste! Quisera poder revivê-las...Aquela postura reverente, cabeça baixa de quem se põe de joelhos para agradecer, transmitiu-me um sentimento diferente: a humildade  da criação divina; pensei num final feliz para elas. Queimá-las? Acho cruel, então pensei em jogá-las nas águas, seria um lindo final. Só então me lembrei das águas que passam pelo rio, no centro da cidade; Sujeira, detritos e esgotos. Me volto para as palavras bíblicas, que resumem o que é sagrado: "Eu sou a Água Viva". A importância da água é declaradamente notória, pois somos seres formados em essência, pela água. Penso então nos versos da música poética: "Se as rosas falassem", de Cartola. Como jogá-las na podridão se elas levam o perfume que roubaram de mim enquanto aqui estiveram, e eu o delas. Pode parecer banal meu raciocínio, mas,  é só meu, e sentimento não se explica. Jogar nas águas correntes, lembra muito os versos de Cecília Meireles.  Na poesia Canção, ela diz: “E o sorriso que eu te levava, desprendeu-se e caiu de mim: e só talvez ele ainda viva dentro destas águas sem fim”. Nas águas do meu rio, não vive sorriso, só tristeza, mas minhas rosas, não irão  acabar assim, elas precisam de água viva. A morte, que as autoridades decretaram  às fontes de água viva, um dia será cobrada. Vemos todos os anos, nos períodos chuvosos, cidades alagadas. Num tempo remoto, era costume, enrolar os mortos  e jogarem seus corpos nas águas, seguido de grandes rituais. Revendo o passado, tive boas lembranças dos rios, das cidades onde morei. Gostaria tanto de passá-las a meus netos, mas, meus filhos cresceram, vendo a invasão de águas, em nossa casa. Muitas vezes fomos expulsos, pela revolta do rio. Quantas lembranças se foram naquelas águas, barrentas. Mas nosso lado positivo, fala mais alto, nossa essência busca a felicidade, sendo assim, lá do fundo das minhas lembranças, chega o barulho e a deslumbrante visão das Catataratas do Iguaçu. Ali vemos o poder divino, o qual cita Jó-14, “Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos. Se envelhecer na terra a sua raiz, e no chão morrer o seu tronco ao cheiro das águas brotará, e dará ramos como a planta nova". Ziraldo conta no livro “O menino e seu amigo”,  a história do seu avô. Ele diz: "O homem segurava a mão do menino para juntos, irem ao rio ver o tempo e o rio passar". Belas lembranças de um passado onde se podia curtir esta alegria. Como não posso mudar a minha realidade, decidi guardar minhas rosas, até secarem, depois as jogarei debaixo de uma roseira; Elas estarão em família. Eu esperarei outras rosas, até que chegue um tempo feliz, onde as águas irão levá-las ao infinito. Será um tempo novo, em que chegando à beira do rio, veremos nossa imagem lá dentro.Do fundo da alma uma declaração: "Água bendita água!"...


Marlene Campos Vieira