BLOG DA MARLENE
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terça-feira, 24 de abril de 2012
quinta-feira, 29 de março de 2012
Avante, a vida não espera!
Publico aqui no meu blog, um lindo texto escrito por uma querida amiga com nome de estrela, a Dalva, e grande professora que conta um pouco da sua história de forma emocionante e incrivelmente ilustrativa. Emocionem-se!
"É engraçado como, às vezes, vivemos despreocupadamente, acreditando que sempre haverá tempo; sempre haverá um amanhã para que realizemos nossos sonhos. Embora, gostemos de ter tudo sob controle, sejamos independentes, deixamos sempre algo para depois, pois, inocentemente, acreditamos que o outro dia, fielmente, estará lá, à espera de que possamos realizar o que ontem não deu tempo, ou o que, simplesmente, não sentimos necessidade de realizar.
Nessa crença tola de que o futuro nos espera, desperdiçamos momentos, jogamos fora oportunidades únicas de desfrutarmos momentos alegres, de fazermos aquilo que realmente importa. E o que realmente importa? De vez em quando, é necessário nos fazermos essa pergunta, para que não passemos a vida a lutar por coisas que, na verdade, nem são tão importantes para nós.
Embora devamos ser otimistas em relação à vida, talvez seja um engano acreditarmos que sempre estaremos fortes e saudáveis o suficiente para realizarmos todas as coisas que vamos deixando para amanhã. Se pararmos para pensar, às vezes, são justamente as coisas mais importantes que vamos adiando. Adiamos as reconciliações, os pedidos de perdão, as palavras de amor, os momentos com a família e com as pessoas que amamos, o passeio, a visita ao doente, o bem que podemos fazer ao próximo. Infelizmente, tendemos a acreditar que há coisas mais importantes para serem realizadas hoje. Todo o resto pode ficar para amanhã.
Porém, pode acontecer de o amanhã nos surpreender e nos mostrar que o tempo nem sempre será tão generoso conosco a ponto de permitir que realizemos tudo aquilo que vamos protelando. Foi o que aconteceu comigo. Durante um tempo, vivi deixando para amanhã as coisas mais importantes da minha vida. Afinal, eu era jovem e ainda teria tanto tempo pela frente. Mas descobri que não importa quantos anos você tenha, quantos sonhos ainda queira realizar, haverá sempre a possibilidade de se descobrir que todos nós temos apenas o dia de hoje. Todo o resto é incerto demais.
Pois é, no dia vinte e dois de agosto de dois mil e onze, descobri que meus rins tinham parado. Fui surpreendida. Justo eu que tinha tantas coisas para realizar. O que fazer agora diante de tão terrível descoberta? No primeiro momento, tem-se a impressão de que nada pode ser feito. Tudo aquilo que você tinha planejado para sua vida parece não caber mais nessa nova realidade. Você descobre que terá que dedicar três dias na semana, exclusivamente, para o tratamento de hemodiálise. E tudo aquilo que havia deixado para realizar depois, como fica agora diante de tantas restrições?
Quando a médica me deu a notícia, não entendi direito o que estava acontecendo. Colocaram um cateter em mim e me levaram para a sala de hemodiálise. Até aí, eu acreditava que minha vida continuaria normal. Entretanto, quando me disseram que eu teria que ir ao hospital três vezes por semana, comecei a ter noção do que estava acontecendo. Aquela seria minha nova realidade. E o trabalho, a faculdade, os passeios? Nada mais poderia ser feito?
No momento em que me fazia tais perguntas, foi impossível resistir. Chorei, deixei que as lágrimas escorressem livremente pelo meu rosto e, quem sabe assim, tirassem de mim um pouco da tristeza que eu estava sentindo.
Aos poucos fui me acalmando. No dia-a-dia da hemodiálise comecei a deixar de prestar tanta atenção em mim e, aos poucos, fui olhando ao meu redor. E que bom que olhei para o lado, pois percebi que ainda havia pessoas em situações pior do que a minha. O meu problema eram apenas os rins. Ao meu lado tinha pessoas que, além do problema renal, não tinha as pernas, eram cegos, tinha problemas mentais, dentre outras coisas. Eu ainda podia andar, ver, ouvir, falar. Ah, eu ainda tinha tanta coisa. Não era justo me fazer de vítima, achar que não merecia tudo aquilo, pensar que Deus estava sendo mau comigo. Eu não era a única que estava sofrendo. O meu sofrimento, comparado ao de alguns de meus colegas, era pequeno demais. Eu ainda podia me locomover sozinha, enquanto tantos ali à minha volta precisavam ser carregados. Eu ainda podia me alimentar sem ajuda, enquanto ao meu redor, havia pessoas que precisavam que a comida lhes fosse colocada na boca. Eu ainda podia ler, ouvir música, enquanto para alguns pacientes ali naquela sala, esses simples prazeres já não eram mais possíveis.
Resolvi que eu precisava tomar uma atitude diante daquela doença. Eu tinha várias opções: revoltar-me, me colocar no papel de vítima e aceitar a doença, lutar contra ela e passar com dignidade por aquela situação.
Pensei na primeira opção. Pensei no que eu tinha feito para merecer tudo aquilo. Tentei encontrar um culpado e, num primeiro momento, quis me revoltar e culpar Deus por tudo aquilo que estava acontecendo comigo. Mas, se entendo que Deus é amor, não podia aceitar que ele fosse culpado pela minha doença. Culpar quem, então? Revoltar-me contra quem? Descobri que não havia culpados, portanto, não podia me revoltar.
Então, analisei a segunda opção: fazer-me de vítima. Tornar-me dependente, aceitar a condição de inválida, deixar que os outros fizessem tudo por mim. Afinal, eu estava doente, precisava de cuidados. Mas logo me lembrei de que o que mais me dava orgulho na vida era ser independente, resolver minhas coisas, lutar pelo que acredito. Não ia conseguir ser olhada com pena, ser considerada incapaz. Sabia que dali para frente, eu ia precisar das pessoas muito mais que antes, mas entendi que eu ainda podia lutar, fazer algo por mim mesma.
Assim, restou-me a última opção: aceitar que, TEMPORARIAMENTE, estou doente, mas que posso e preciso passar por isso com dignidade. Embora alguns dos planos que fiz para o amanhã tivessem que ser mudados, embora outros não pudessem ser realizados tão brevemente, havia outras coisas que podiam ser feitas.
Entendi, então que aquela situação podia me ensinar coisas que eram necessárias que eu aprendesse. Dali para frente teria que aprender muitas coisas e, a primeira delas, era aprender a escrever uma outra história para mim, fazer outros planos, sonhar com novas possibilidades e me adequar àquela nova realidade. Não é fácil deixar para trás coisas de que gostamos. Não é fácil deixar o trabalho, não é fácil não poder beber aquela cervejinha final de semana, não é fácil seguir a dieta alimentar, não é fácil passar a maior parte do seu tempo em um hospital. O tratamento de hemodiálise não é fácil.
Conviver com agulhas, sangue, dores, marcas que, aos poucos, vão aparecendo no nosso corpo é algo que exige muita força. Há momentos em que desejamos morrer, para ficar livre do sofrimento. Mas é necessário perseverar, ter paciência e, sobretudo, acreditar que qualquer sofrimento, por pior que seja, uma hora terá fim. As dores não vão durar para sempre. Todas as dificuldades que aparecem, no dia-a-dia do tratamento, vão passar. Quanto às marcas, mesmo não sendo possível apagá-las, como me disse Carla - psicóloga do hospital Filadélfia (Teófilo-Otoni), “todas as marcas que ficarem são a prova da sua vitória”.
Tenho aprendido várias outras coisas com essa doença. Estou mais humana, mais tolerante, mais paciente. Apesar de tudo, hoje, estou mais em paz comigo mesma do que já estive em qualquer outro momento da minha vida. A doença fez com que eu voltasse o meu olhar para dentro de mim e isso tem me permitido entender coisas que antes não entendia. Nessa viagem interior, penso que a minha descoberta mais importante, foi compreender que é necessário, imprescindível aproveitar cada momento de nossas vidas, dar valor às coisas mais simples e fazer, hoje, todas as pequenas coisas que tenha vontade. Voltei a dar valor a banho de rio, a fim de semana com a família, à conversa com os amigos, à musica, à leitura e à tanta beleza que há na natureza. Compreendi que tenho muito mais a agradecer do que há reclamar. Preciso ter fé, acreditar que dias melhores virão. Não vou me entregar à doença. A minha luta é para vencê-la, mas, se isso não for possível, aprenderei a conviver com ela, seguirei adiante sempre. Sei que vou fraquejar em alguns momentos, vou cair, vou chorar, vou sofrer. Entretanto, tudo isso faz parte da vida. Ninguém passa ileso por ela. Cada um de nós tem suas batalhas para vencer aqui na terra, do mesmo modo que também tem momentos de alegria. Então, só há uma saída: viver intensamente tudo que a vida tem para nos oferecer."
Dalva Ribeiro Vieira
(Temporariamente, paciente de hemodiálise do hospital Filadélfia (Teófilo Otoni – MG)
quarta-feira, 28 de março de 2012
SINTONIA
Há alguns anos escolhi um grupo especial de amigos, para compartilhar coisas boas. Fazemos uma troca de energia, levo a minha e trago a deles. São pessoas de várias cidades, que fazem hemodiálise num mesmo hospital; eu e também outros amigos, temos a alegria de conversar, trocar idéias e leituras, toda semana, com eles.
Depois de alguns anos, muitos receberam transplante, outros partiram, deixando saudades. No ano passado, perdi uma grande amiga, foi-se inesperadamente. Fiquei muito abalada e resolvi interagir naquele ambiente, ofereci um rim para doação a uma amiga.Em novembro de 2011, fomos a Belo Horizonte fazer exames num hospital especializado.Para nossa frustração, não havia compatibilidade sanguínea, fiquei muito triste.
Este passo, porém, gerou uma sintonia. Foi tão grande que hoje, minha amiga já foi operada, está com um novo rim, uma vida nova.
Depois de doze anos de hemodiálise, ela realizou o seu e nosso sonho. Essa sintonia começou e se energizou, a partir de uma busca, todos nos sintonizamos no mesmo querer. Foram muitas as atitudes geradoras desse final feliz.
De repente,no meio da noite, uma viagem urgente, um novo órgão alí simplesmente a espera da minha grande amiga. Foi a mais bela notícia do ano novo pra mim, foi o meu presente, a alegria me fez chorar. Na tarde daquele último dia estive com ela no hospital, li uma mensagem para ela e a frase final era:
"CREIA, você nasceu para ter uma vida INCRÍVEL!"
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
POSTURA E GENÉTICA
"Eu era uma poupadora persistente. Mas, sem dúvida, meus pais, ambos professores, me criaram direito. Se viajávamos nas férias, por exemplo, e eu quisesse uma lembrancinha, tinha de arranjar o dinheiro por conta própria". Esse é o depoimento da americana, Jean Chatzky; a guru das finanças, em seu novo livro - A Diferença -
A postura dos pais na formação dos filhos, pode ser decisiva quanto ao futuro, a genética com certeza é um fator essencial.
Minha mãe não frequentou escolas, nem cursos de artes, aprendeu a bordar observando.
A postura dos pais na formação dos filhos, pode ser decisiva quanto ao futuro, a genética com certeza é um fator essencial.
Minha mãe não frequentou escolas, nem cursos de artes, aprendeu a bordar observando.
Na tentativa de acertar, chegou a sofrer um acidente. Pois é, seu único tempo era a noite, era o momento em que fazia sua tentativa de bordar, com um lampião de querosene, ao lado. No cochilo do cansaço, o lampião se revirou e a cicatriz na barriga ficou para sempre, como a queimadura do bordado.
Importante é conseguir nossos objetivos, minha mâe conseguiu, a partir dai estava impresso em seu cérebro a postura educativa, para sua família.
Ela teve seis filhos, e ensinou a todos a grandeza do aprendendizado das artes. Eu me tornei a sua escritora, pois a leitura não chegou até ela. Ela ditava, e eu ainda criança, escrevia suas cartas, lia e relia, todas as palavras tinham vida, precisava desmanchar e desmanchar, até ter a sua aprovação.
Hoje, todos praticam alguma arte, seja por prazer ou para viver.
Importante é conseguir nossos objetivos, minha mâe conseguiu, a partir dai estava impresso em seu cérebro a postura educativa, para sua família.
Ela teve seis filhos, e ensinou a todos a grandeza do aprendendizado das artes. Eu me tornei a sua escritora, pois a leitura não chegou até ela. Ela ditava, e eu ainda criança, escrevia suas cartas, lia e relia, todas as palavras tinham vida, precisava desmanchar e desmanchar, até ter a sua aprovação.
Hoje, todos praticam alguma arte, seja por prazer ou para viver.
Meu único irmão, vê a beleza que ninguém vê, e cria arte em tudo que faz, pricipalmente em madeira. Ele é um gênio e tem uma aura brilhante. Minha irmã, " Fada da arte", artista plástica por vocação, é além disso a pessoa mais generosa que existe.
Algumas delas, estão se descobrindo, brilhando e mostrando suas mil faces.
Sei que minha mãe pode ver, do andar de cima, a genética sobrepondo nos seus descendentes, são netos e bisnetos com arte no sangue.
Enquanto uns desenham e pintam, outros dançam e fazem arte com a bola.
Abro meus braços todos os dias, exprimindo a minha gratidão, pela oportunidade de ver a arte de Deus em toda criação, e muito mais em minha família, razão da minha vida.
Algumas delas, estão se descobrindo, brilhando e mostrando suas mil faces.
Sei que minha mãe pode ver, do andar de cima, a genética sobrepondo nos seus descendentes, são netos e bisnetos com arte no sangue.
Enquanto uns desenham e pintam, outros dançam e fazem arte com a bola.
Abro meus braços todos os dias, exprimindo a minha gratidão, pela oportunidade de ver a arte de Deus em toda criação, e muito mais em minha família, razão da minha vida.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
ANTOLOGIA: JOVEM ESCRITOR
Antologia :Jovem Escritor
Foi uma noite memorável a do dia 17 de dezembro no plenário da Câmara Municipal de Teófilo Otoni.
Ali estavam reunidos os membros da Alto (Academia de Letras de Teófilo Otoni), as prncipais autoridades políticas da cidade, o presidente da União Estudantil, dirigentes de várias escolas, bem como importantes autoridades educacionais do município.
Motivo: Lançamento da Antologia Jovem Escritor, livro escrito por alunos de várias escolas da cidade, vencedores de um concurso literário, promovido pela ALTO e União Estudantil. Nessa mesma noite, foram empossados dois neoacadadêmicos correspondentes de Turmalina.
Após os discursos e muitas fotos, os alunos foram apresentados e autografaram vários livros.
Ali estavam pais e parentes orgulhosos de seus filhos, diretores e professores , orgulhosos de seus alunos.
Para o surgimento de estrelas, houve o empenho de uma constelação: União Estudantil e Academia de Letras.
Agora as portas se abrem para jovens escritores, exemplo magnífico para a nossa cultura.
Num segundo momento, o Sr Wilson Colares, um dos pilares da Academia de Letras, apresentou as neoacadêmicas correspondentes Maria Norma Lopes Macedo e Janeuce Cordeiro Maciel. Elas foram empossadas e foram enfáticas em seus discursos. A Sra Janeuce fez uma alegoria, comparando o Acadêmico Valdivino Pereira Ferreira a um síndico do condomínio das letras, de Turmalina. Seu pronunciamento arrancou aplausos e admiração, altamente criativo e peculiar.
Todo esse evento foi documentado em filme e fotos. Houve a apresentação de um coral infantil, com músicas natalinas, todos caracterizados de Papai Noel, cantando e emocionando a todos.
Para finalizar, uma mesa farta como na Noite de Natal, esperava para as congratulações.
Lá fora, a praça decorada e iluminada, aguardava a saída de todos, com pequenas gotas de chuva para completar o cálice da emoção, dessa inesquecível noite.
Marlene Campos Vieira
sábado, 10 de dezembro de 2011
COMEÇAR DE NOVO
Fui visitar Turmalina e lá conheci o Projeto Canário Livre, gostei muito.
Na praça e em outros locais existem sobre pedestais gaiolas abertas, mostrando a verdade desse projeto.
Tudo começou quando um dos criadores de pássaros, se sentiu tocado pelo espírito da liberdade e contaminou a todos.
Fiquei ali observando como os canários voam e cantam alegremente em volta das gaiolas.
Alguns porém, entram nelas e silenciam, outros soltam tristes sons e voam rapidamente.
Hoje fico analisando nossas diferenças, nós embora livres, voluntariamente vivemos presos às nossas gaiolas.
O tempo passa e nós nem vemos, estamos presos nas dores do passado, sofrendo pelo que já foi, não limpamos as poeiras da alma. É difícil esquecer; até o canário volta à sua gaiola, soltando uma nostálgica melodia.
O passado marca, deixa cicatrizes doloridas. Vem aí um tempo novo, para um novo homem.
No livro do Padre Fábio de Melo: "Quem me Roubou de mim", fala sobre esse tema.
Vamos pedir ao Menino Deus , que nos dê forças e sabedoria para que possamos destruir as algemas que nos prendem nas gaiolas das amarguras.
Seria ideal criar para nós um projeto: Homem Livre e sair por aí cantando nossas vitórias.
Que nossas cicatrizes se tornem troféus, para a contagem regressiva ao nosso primeiro ano de libertação.
Perdão é a palavra chave para:
COMEÇAR DE NOVO
Autora: Marlene Campos Vieira
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
ENCONTRO MARCADO
Para comemorar o Natal com Poesia!..
Encontro marcado
Amanhece o dia ,lá vai o menino
No caminho de todo dia
Em busca do seu pãozinho
Que mora na padaria
Lá ele encontra o velhinho
A dona da loja ao lado
A moça da caminhada
Em busca do pão sagrado
Que coisa mais engraçada!
Ninguém marcou horário
E tem horário marcado
É o compromisso do pão
Que faz de cada ser, um irmão
Todos na mesma direção
Prá primeira refeição
Nas mãos uma sacola colorida
É vida é pão,é pão da vida
Que com o mesmo sabor
É chave abre o dia
É sabor que anuncia
Vida , alegria fé no novo dia
E assim começa a vida
Com muitos encontros marcados
Encontros na padaria.
Autora: Marlene Campos Vieira
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